O jovem Hélder Delgado, 19 anos, morreu depois de ter sido detido dentro da casa de um agente da Polícia Nacional, no passado mês de Março.
O Ministério Público (MP) imputou um crime de
homicídio agravado ao agente da Polícia Nacional – “Manu” – suspeito da morte
do jovem Hélder Delgado na esquadra de Achada de Santo António, Praia, em Março
deste ano.
Em comunicado o MP fez saber que depois de
realizadas “todas as diligências úteis à descoberta da verdade material dos
factos sob investigação”, o Ministério Público requereu o “julgamento em
tribunal singular” do referido agente da Polícia Nacional, que está em prisão
preventiva desde Maio.
“Ao arguido, agente da Polícia Nacional, foram
imputados um crime de homicídio agravado […] em concurso real efectivo com um
crime de armas, todos na sua forma consumada e, este último, atendendo ao
instrumento utilizado para o cometimento daquele crime”, refere o comunicado
publicado no site da Procuradoria-Geral da República.
Recorde-se que, Hélder Delgado foi detido em
circunstâncias envoltas em contradições, com os familiares a acusarem o agente
de agressões fatais, que levam à morte ainda dentro da esquadra.
Entretanto a Polícia Nacional indicou que o jovem
morreu por choque hipoglicémico e no hospital, para onde foi transferido após
sentir-se mal na esquadra. O auto de transladação de cadáver, assinado pelo
então delegado de saúde da Praia, indica que, além de choque hipoglicémico, o
rapaz foi vítima de poli-traumatismo.
Já o boletim de óbito da Conservatória do Registo
Civil da Praia aponta que o local do falecimento foi a esquadra policial.Por seu turno, disse na altura o ministro da
Administração Interna, Paulo Rocha, que um inquérito concluiu que o agente
deteve o jovem em flagrante delito a roubar em sua casa e os dois entraram em
confronto físico, tendo o agente atingindo-o com um pedaço de pau, alegadamente
por este se encontrava armado com uma faca.
Depois de imobilizado e algemado, prosseguiu
Rocha, o jovem foi transportado à esquadra, onde passou a noite, tendo sido
conduzido na manhã seguinte ao hospital inanimado, onde acabaria por falecer
mais de 10 horas após ser detido.
O ministro avançou ainda que três indivíduos que
se encontravam detidos na mesma cela de Hélder relataram que durante a noite,
por várias vezes solicitaram auxílio do pessoal policial de serviço, porque o
falecido estava em más condições, mas “não lhe foi dada a devida assistência”.
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