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Peritos do
Brasil e da ONUDC partilham experiências com magistrados e polícias
cabo-verdianos na investigação de crimes económicos e abuso de poder.
O Procurador-Geral da República
(PGR), Óscar Tavares, aponta a demora na obtenção de documentos e informações,
nomeadamente através da cooperação judiciária internacional, como um dos
principais desafios da investigação aos crimes económicos e à corrupção em Cabo
Verde.
“O principal desafio que temos é
a cooperação de outras entidades. Muitas vezes, atrasos substanciais em
processos dependem de informações que temos que pedir a outras instituições,
que nem sempre são facultadas a tempo e acabam por obrigar a que tenhamos
permanentemente que reprogramar e reponderar a estratégia da investigação”,
disse Óscar Tavares, citado pela Lusa.
O PGR falava, terça-feira, 27,
aos jornalistas, na Cidade da Praia, no âmbito da realização de uma formação
sobre investigação de crimes económicos e abuso de poder em que participaram
magistrados do Ministério Público e elementos das várias polícias.
Para Óscar Tavares, sem “um
conjunto de documentos e informações essenciais não se consegue traçar a melhor
estratégia” de investigação”.
Óscar Tavares assinalou, por
outro lado, que há “mecanismos de cooperação judiciária internacional que
pressupõem actos de soberania de outros Estados” e que as solicitações nem
sempre são respondidas de forma a permitir “concluir as investigações no tempo
expectável”.
A investigação que decorre desde
2015, em Cabo Verde ao empresário português José Veiga, e sobre a qual o PGR
recusou falar, é um dos casos em que estão em investigação suspeitas de crime
seconómicos, nomeadamentes lavagem de capitais.
Questionado sobre a influência
da falta de meios do Ministério Público no prolongar das investigações, Tavares
considerou que “é possível obter resultados, mesmo num contexto em que os meios
são insuficientes”.
Na acção de formação,
participaram peritos do Brasil e da ONUDC (Escritório das Nações Unidas sobre
Drogas e Crime), que partilharam experiências com os magistrados e polícias
cabo-verdianos.

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